Solstício: o 21 de dezembro nas rodas sul e norte

dezembro 21, 2020 0 Por Pagan

Solstício: é importante antecipar que, originalmente, os povos celtas não comemoravam os solstícios de verão/inverno e os equinócios.

O que se sabe com certeza é que os celtas comemoravam o Imbolc, Beltane, Lughnasadh e Samhain.

Em seu processo de expansão, ao encontrarem povos que comemoravam os solstícios e equinócios, os celtas teriam incorporado essas festividades. Essas datas foram importantes para povos pré-celtas, que inclusive construíram monumentos que marcam o nascer e o pôr-do-sol nessas datas (como Brú na Bóinne, na Irlanda, e Stonehenge, na Inglaterra).

Hoje, também se sabe que povos posteriores comemoraram o solstício de verão, relacionando a data com algumas divindades (a exemplo do deus Manannán mac Lir, sendo homenageado na Ilha de Man).

Portanto, é escolha de cada uma e de cada um comemorar os solstícios ou não. A título de informação, vamos a mais detalhes sobre o 21 de dezembro.

Para quem segue a roda do sul, a deusa Áine de Knockaine possui forte ligação com o fogo enquanto Rainha Fada cultuada no solstício de verão. Historicamente, Áine foi homenageada nessa data na Irlanda. Aine é uma deusa das fadas ligada à fertilidade, ao verão e ao amor. Áine também possui ligação com as flores, a proteção das mulheres, o fogo e as fontes de água.

Ainda na roda do sul, o solstício de verão também é associado ao deus Manannán mac Lir, o filho do mar, mestre na magia e na mudança de forma. Nessa data, os habitantes da Ilha de Man homenageavam Manannán mac Lir. Para simbolizar o início do declínio do sol após seu auge, os pagãos do passado, na Ilha de Man, rolavam rodas de fogo do alto dos morros. Hoje, a Ilha de Man leva o nome do deus Manannán mac Lir, reflexo de um passado glorioso que pagãos por todo o mundo começam a reviver.

Para quem segue a roda do norte, o 21/12 é o solstício de inverno. Propício para homenagear Grían, deusa irlandesa solar que reina no inverno, portanto ligada ao sol fraco dessa época do ano. Importante notar que a irmã de Grían, Áine, está ligada ao esplendor do verão (ou seja, uma divindade representando o esplendor do verão, e a outra reinando na “metade escura”, os meses do outono e inverno). Grían e Áine são vistas como divindades que possuem uma relação complementar e de interação, não de conflito.

Outra divindade relacionada ao inverno é a Cailleach, ligada ao clima, ventos, inverno e rochas, mais antiga que o tempo e muito popular na Irlanda e Escócia. Cailleach provavelmente tem origem em uma divindade cultuada pelo povo que antecedeu os celtas na Irlanda. Seu nome significa “velada” ou “encapuzada”. Cailleach é vista como uma mulher velha de capuz e de rosto azul acinzentado.

“período do Pequeno Sol” e “período do Grande Sol”

Os gaélicos escoceses acreditavam que as partes “clara” e “escura” do ano eram governados pelas deusas Cailleach e Brìde. Algumas tradições consideravam que essas divindades eram rivais. Assim, Cailleach aprisionava Brìde em sua montanha na parte “escura” do ano, chamada de “período do Pequeno Sol”. Na parte “clara” do ano, Brìde era liberta e iniciava o seu “período do Grande Sol”.

Celtas

O termo “Celtas” não era usado por esse povo (surgido, aproximadamente, por volta do ano 1.200 Antes da Era Comum [AEC]) para designar a si mesmo. Pelo contrário, autores gregos e romanos usaram esse termo para designar os habitantes que possuíram domínio da Europa Continental durante a Idade do Ferro (de 1.200 a 1.000 AEC).

Os Celtas e os Druidas compartilhavam de respeito e veneração para com a natureza. Em geral, existe a ideia comum de que os Celtas possuíam uma inclinação mística congênita. Nos tempos atuais, quem se sente atraído pela cultura celta logo percebe que vê as coisas de maneiras que outras pessoas não podem.

Fontes: The Encyclopedia of Celtic Mythology and Folklore; Ildiachas Gaelach, Uma Introdução ao Politeísmo Gaélico